terça-feira, 12 de agosto de 2008

AS BODAS DE CANÁ DA GALILÉIA


As bodas de Caná
No Evangelho de João 2:1 nós lemos: "Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus"

Foi nas bodas de Caná que Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo seu comparecimento, avalisou o casamento.

Por que razão Jesus Cristo teria iniciado os seus milagres num casamento?


I- O CASAMENTO REPRESENTA A UNIÃO DE CRISTO COM A IGREJA – Ef 5:32

“Este mistério é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja”.
- Pois assim como o marido e a mulher têm filhos segundo a carne, assim Cristo e a Igreja geram os filhos de Deus.
Ora, toda geração de filhos legítima se faz através do casamento. Era, pois, muito conveniente Cristo, cabeça divina da Igreja e seu Esposo, principiasse sua ação apostólica, pela instituição do casamento. Daí ter ele comparecido a essas núpcias, em Caná, juntamente com seus Apóstolos e com sua Mãe.


II- O CASAMENTO ACONTECEU NO TERCEIRO DIA

1- Também era muito próprio que isto ocorresse no terceiro dia, porque este era o terceiro dia em que Deus estabelecia uma união com os homens. Pois, no primeiro dia do homem, na manhã original da criação de Adão e Eva, Deus os abençoou e estabeleceu que eles deviam 'crescer e multiplicar-se' (Ge 2:28), a fim de que muitos participassem da vida e felicidade divinas. E esta foi, em certo sentido, a primeira aliança de Deus com o homem. E a esta primeira aliança o homem foi infiel quando cometeu o pecado original.
2- Num segundo dia, Deus firmou sua Aliança com Abraão (Gen 12:2-3), prometendo-lhe uma grande descendência, assim como a sua benção e proteção. Foi dessa aliança que nasceu o povo eleito, com o qual Deus firmou seu pacto no Sinai.
3- Agora, no terceiro dia, Cristo instituía o Casamento, imagem de suas núpcias eternas com a Igreja.
Tomas de Aquino, comentando essa expressão diz: no terceiro dia diz que o primeiro dia foi o da lei natural; o segundo foi o da lei de Moisés; e o terceiro foi o dia da graça (Op. e ed. Cits. Cap. II Lição I, nº 338, p. 325).


III- O CASAMENTO ACONTECEU EM CANÁ DA GALILÉIA

1- Ora, Caná significa zelo, e o nome Galiléia tem raiz em Galut, que significa exílio. Porque, a Sabedoria divina exilando-se do céu, encarnou-se em Cristo, para , ardendo em zelo, vir a esta nossa terra de exílio, a fim de salvar os homens.
E Deus se encarnou para salvar a todos os homens, e não apenas os judeus. Por essa razão, Ele nasceu na Judéia, mas fez seu primeiro milagre e começou sua pregação na Galiléia. Ora, a Galiléia era mal vista pelos judeus, porque, depois do Cisma das Dez Tribos, ela pertencera ao Reino de Israel, e este Reino separara-se do culto oficial judaico no Templo de Jerusalém. Além disso, a Galiléia estava em próximo contato com as nações pagãs, sofrendo a influência dos fenícios idólatras. Por todas estas razões é que Natanael duvidou que o Messias pudesse vir de Nazareth, perguntando : "De Nazareth pode, porventura, sair coisa que seja boa ? " ( Jo. 1:40).
E, entretanto, foi naquela que era chamada a "Galiléia das nações", isto é, o exílio das nações, foi lá que Cristo estabeleceu suas núpcias com a Igreja, porque, após a apostasia de Israel, Deus faria sua aliança com os gentios, no exílio.
Era, pois, entre os galileus, embora menos desprezados que os samaritanos pelos judeus, que Cristo ia iniciar a sua pregação. Queria Ele demonstrar assim que seu zelo não se limitava aos judeus, descendentes de Abraão, mas que Ele vinha, ao terceiro dia, para salvar todos os filhos de Adão.
2- Os noivos de Caná eram judeus, membros da Antiga Aliança, e suas núpcias se davam ainda de acordo com a Lei de Moisés. Eles representavam então as núpcias de Deus no antigo pacto.

- Paulo comparou com as núpcias de Abraão com sua escrava Agar, e a de Jacó com Lia. Agar era a escrava e não a esposa legítima e primeira, e Lia tinha os olhos doentes e, por isso, não via bem. Assim, o casamento sob a lei foi com parado com o casamento com a escrava e não a verdadeira esposa, e, quando chegou o Esposo, ela não o reconheceu, porque não viu nEle a realização das profecias, Ela foi "cega ao meio dia", hora em que levantaram Cristo na cruz no Calvário. Pois, como o próprio Moisés profetizara, caso Israel fosse infiel: Dt 28:28 o Senhor te ferirá com loucura, com cegueira, e com pasmo de coração.
Dt 28:29 Apalparás ao meio-dia como o cego apalpa nas trevas, e não prosperarás nos teus caminhos; serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve.

Mas Sara, a esposa legítima, foi abençoada, mesmo que seu filho tivesse nascido depois do filho da escrava. E Raquel, a segunda esposa de Jacó, mas que ele desejara "desde o Princípio", Raquel tinha olhos claros e que voam bem, por isso o seu nome significa visão de Deus, e seu filho foi o preferido de seu esposo.


IV- O VINHO ACABOU NO CASAMENTO EM CANÁ

1- No Templo de Jerusalém, o povo da Antiga Aliança ofertava a Deus bois e cordeiros, o sangue e a gordura deles. Eram sacrifícios puramente materiais que faziam para reconhecer o senhorio de Deus sobre tudo o que possuíam e também purificá-los de seus pecados. Estes sacrifícios simbolizavam o sacrifício que ia ser realizado no Calvário.
Os sacrifícios materiais dos judeus tinham pouco valor intrínseco, a não ser apontar para o verdadeiro sacrifício de Cristo. De fato, de que servem para Deus carneiros e bois imolados? Ademais, nem estes sacrifícios materiais os judeus faziam de coração puro e com generosidade, e tinham se tornado cegos a seu significado.

Este vazio dos sacrifícios judaicos foi simbolizado no fato de que, em Caná, o vinho da festa de núpcias acabara nas urnas de pedra dos judeus.


2- Nas bodas de Caná, estavam presentes os Apóstolos de Cristo e sua Mãe, que eram membros do povo judeu, fiéis à revelação e à lei mosaica. Eles eram o remanescente fiel do povo eleito, pessoas que sofriam com a decadência religiosa e moral dos filhos de Abraão, e com a cegueira dos sacerdotes, saduceus e fariseus.
Falando da situação embaraçosa e humilhante em que se encontravam os pobres noivos de Caná, ela se referia, de fato e num plano superior, à situação lastimável do povo eleito, que já não tinha mais 'vinho' em seu coração, para ofertar a Deus no Templo. Era Israel como as virgens loucas da parábola, que já não tinham óleo em suas lâmpadas, quando chegou o esposo.

3- Quando Maria disse a Cristo : "Eles não têm mais vinho", a resposta de Jesus à sua Mãe, à primeira vista, pareceria dura àqueles que não possuem verdadeira compreensão da Sagrada Escritura. Disse Ele: Mulher, que tenho eu contigo? Não é chegada a minha hora. "mulher, que temos Eu e tu com isso? Ainda não é chegada a minha hora." ( Jo. 2:4).
a) Cristo chama Maria de mulher, para mostrar que Ele era Filho de Deus e de uma mulher, a fim de combater todas as heresias gnósticas, como a dos maniqueus e a dos cátaros, que condenavam a matéria como sendo má em si, e obra do deus do mal. Por isso, maniqueus e cátaros condenavam a mulher, o casamento e a procriação. Afirmando-se também como filho de uma mulher, Cristo condenava as heresias que negariam a sua humanidade, como iam fazer os eutiquianos, que afirmavam ter tido Ele apenas um corpo aparente e não verdadeiro.
Por tudo isso, convinha muito que o Evangelho salientasse que ela era "a mulher" e que afirmasse ser ela a mãe de Jesus: 'E Mãe de Jesus estava aí'. Por isso também São Paulo afirma? 'Deus enviou seu Filho, nascido de mulher' (Gal. 4:4). Maria, pois, foi a mulher e a Mãe de Jesus.
b) Cristo afirma que nem Ele nem ela tinham qualquer responsabilidade pela falta de vinho, nas bodas de Caná. Não fora nem por causa de Deus, nem por causa dos justos de Israel que o povo eleito já não tinha nem o vinho da Justiça, nem a Sabedoria, nem o Amor. Se a Sinagoga estava carente de vinho para as suas núpcias com Deus, isto era por culpa exclusiva dos maus judeus, principalmente de seus príncipes e doutores. Cristo não tinha qualquer participação na culpa da Sinagoga, nem tão pouco na sua decadência.
c) Não chegara ainda a hora de Cristo. Esta hora suprema a que Ele se referia chegaria na Páscoa Santa na qual Ele instituiria o sacrifício da Nova Aliança, na Santa Ceia do Cenáculo e, pouco depois, no Calvário.


V- JESUS TRANSFORMOU A ÁGUA EM VINHO

1- O milagre da nova aliança é incomparavelmente superior.
Obs. No Calvário Cristo oferece o sacrifício superior representado no milagre de Caná.

Obs. O vinho é oferecido a todos (Judeus e gentios)

2- A nova aliança será marcada pela intenção de Cristo em fazer milagres.
- Transforma a nossa falta em abundância.
- Transforma o nosso pecado em santidade.- Transforma a nossa vergonha em honra.

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